Uma bolsa para pôr pesquisador de IA dentro da empresa: a chamada 29/2026 do CNPq

21 de setembro de 2026

O CNPq abriu a chamada pública nº 29/2026 do Programa RHAE, voltada a inteligência artificial, com inscrições até 9 de outubro de 2026: a proposta paga bolsa para um pesquisador trabalhar dentro de uma empresa, não dentro de uma universidade.

Bloco institucional escuro à esquerda, galpão menor com uma janela acesa em dourado à direita, e uma trilha de pontos dourados crescentes terminando dentro do galpão

O que o RHAE paga

O RHAE é um programa de bolsas para pesquisador atuando dentro da empresa, com vínculo ao projeto dela. Nesta chamada, específica para inteligência artificial, as modalidades são SET, DTI, EV e ATP, em todos os níveis. O projeto pode ter execução de até 30 meses, e cada empresa pode captar até R$ 300 mil em bolsas de desenvolvimento tecnológico.

Quem pode propor

Podem propor empresas inovadoras e startups de pequeno e médio porte que desenvolvem soluções em inteligência artificial. A empresa entra com contrapartida mínima de 20% do valor do projeto. A chamada reserva no mínimo 30% dos recursos para projetos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O alinhamento que a proposta tem que declarar

A proposta precisa se declarar alinhada à Nova Indústria Brasil (NIB) e ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), os dois marcos de política industrial e de IA que o edital usa como referência. Há prioridade para negócios de impacto socioambiental e para empresas lideradas por mulheres. Vale ler isso como parte da proposta e não como formalidade de cabeçalho: a chamada pede que o projeto se situe dentro desses dois planos, e o edital é quem diz em que termos.

Pesquisador dentro da empresa é outra coisa

Financiar pesquisa em universidade e pagar um pesquisador para trabalhar dentro da empresa são coisas diferentes, mesmo quando o tema é o mesmo. Na universidade o problema costuma vir formulado antes de o dado aparecer; dentro da empresa o problema já está em produção, com o dado real, com a restrição de prazo real e com um usuário interno cobrando resultado. O RHAE aposta nesse segundo arranjo, em que o produto final do trabalho é algo que a empresa passa a usar.

Onde isso encosta em engenharia e dado geoespacial

Isto é leitura minha, não afirmação da chamada. Uma empresa de logística que processa GTFS e precisa de um modelo para prever atraso de rota é o tipo de problema que caberia num projeto RHAE: dado real, restrição operacional real, e um pesquisador dedicado a resolver especificamente aquilo. O mesmo vale para uma empresa que trabalha com QGIS e tem uma fila de tarefas manuais de geoprocessamento que um modelo de IA poderia reduzir. Não é o único tipo de empresa que a chamada atende, mas é o tipo que este site normalmente discute.

O que só o edital responde

Este post não traz, porque a notícia não trazia: valor mensal de cada modalidade de bolsa, valor total da chamada, data do resultado, plataforma de submissão, critérios de julgamento e a lista do que é financiável além da bolsa em si. Tudo isso está no edital e no FAQ em PDF, na página da chamada, e é lá que qualquer empresa interessada precisa ler antes de escrever a proposta.

O prazo

As inscrições ficam abertas de 19 de agosto de 2026 a 9 de outubro de 2026, data limite. A notícia oficial do CNPq traz o resumo da chamada, e a página da chamada nº 29/2026 traz o edital completo e o FAQ em PDF.

Se a sua empresa quiser conversar

Se a sua empresa está avaliando propor à chamada 29/2026, estou disponível para conversar sobre os dois lados do arranjo: o que o edital exige de uma proposta e o que é, na prática, ter um pesquisador de IA trabalhando dentro da empresa, que é justamente o papel que a bolsa financia. É só chamar por WhatsApp ou por eng.dcamargo@outlook.com.br.

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